Por Sebastián Stranieri, CEO da VU Security
O conceito de desinformação não é novo. A manipulação de notícias tem feito parte da história quase ao mesmo tempo da existência da mídia. Entretanto, com o avanço das novas tecnologias e o alcance global das redes sociais, ela se transformou no que hoje é conhecido como "notícia falsa".
Na época em que vivemos, qualquer pessoa com acesso a um computador, laptop, tablet ou smartphone pode criar, divulgar e virar notícias de fontes duvidosas e mal-intencionadas.
A Internet mudou as regras do jogo da comunicação e da informação confiável: as notícias, dados, fotos e links que são compartilhados através das redes sociais contribuem para moldar as opiniões dos usuários. Para alguns públicos, as redes sociais são agora a única fonte de informação que consomem, portanto são influenciadas por elas em maior medida do que pelas notícias veiculadas pela imprensa.
Ao contrário da mídia tradicional, os novos canais de informação não exigem conteúdo contrastante. Isto significa que a informação é distribuída e chega a milhares de pessoas em tempo recorde, e nem sempre é verdadeira. Além disso, estas mensagens são geralmente compartilhadas entre familiares, amigos ou conhecidos, de modo que as pessoas tendem a dar-lhes mais credibilidade. A verdade é que muito poucas pessoas investigam a origem das informações que recebem ou verificam as fontes antes de divulgá-las novamente.
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) advertiu que, em geral, as pessoas não estão preparadas e não possuem as ferramentas e/ou conhecimentos necessários para lidar com campanhas de desinformação e "notícias falsas". A organização internacional aponta o trabalho nas escolas como uma medida preventiva desde cedo. A questão é: como preparar as diferentes gerações para desenvolver uma visão crítica em relação à superinformação que circula através das redes?
É hora de estar atento às "notícias falsas", moeda comum em todas as redes sociais e em todos os tópicos, pois não é exclusivo do campo político ou da mídia.
Aqui, da VU, oferecemos algumas dicas para evitar ser a próxima vítima:
- Verificar fontes. Se você receber uma notícia ou uma captura de tela onde não esteja claro quem é o autor, suspeite. Entretanto, uma fonte por si só não é uma garantia de nada. É por isso que é importante verificar vários sites oficiais para corroborar as informações. Por exemplo, se você receber uma captura de tela de um tweet, vá até a conta oficial dessa pessoa para verificar se foi realmente algo que eles tweeted.
- Verifique se a URL é real. Muitas vezes a URL parece ser de um site confiável, mas não é. Às vezes, a URL falsa contém uma vogal extra ou uma consoante extra para confundir um usuário desatento. É por isso que é recomendável clicar no artigo e verificar se ele é de fato um site real.
- Evite apenas a manchete das informações. O excesso de informação é a ordem do dia e é comum encontrar manchetes sensacionalistas projetadas para causar impacto à primeira vista. É importante garantir que as informações contidas no artigo sejam consistentes com a manchete antes de compartilhar as notícias.
- Identificar erros ortográficos. Outro teste para saber que estamos diante de uma notícia real é prestar atenção à forma como ela é escrita. Se for informação real, não deve haver erros ortográficos, erros gramaticais, inconsistências ou parágrafos em letras maiúsculas.
- Tenha cuidado com os perfis com pseudônimos. Existem muitos perfis falsos nas redes sociais criadas para compartilhar e virar informações falsas ou distorcidas. É aconselhável ter cuidado com aqueles perfis com pseudônimos, com poucos seguidores ou que foram criados recentemente. Se você encontrar um perfil falso, é aconselhável denunciá-lo para que a mesma rede social possa investigá-lo e removê-lo, evitando assim que outras pessoas sejam enganadas.
- Revise as imagens. Hoje em dia, qualquer imagem pode ser manipulada por programas de edição. Você não precisa ser um especialista no assunto para modificar e até mesmo compor uma foto que transmita a mensagem que deseja. É necessário levar alguns minutos para procurar a origem dessa foto, sua fonte, se ela foi tirada em outro contexto ou se já foi usada em outro momento. Para fazer isso, você pode fazer uma 'busca de imagem' no Google, clicando no ícone da câmera do mecanismo de busca, por exemplo. Lá você pode adicionar a URL da imagem ou carregar a foto para descobrir sua fonte original.
- A data de publicação é importante. O contexto é muito importante para decidir se uma notícia é falsa ou não, porque o que é publicado hoje como verdade, em poucos anos poderá ser desmentido. Se foi publicado há muito tempo ou se a data não aparece, é suspeito.
- Deixe as idéias e a ideologia de lado. Só porque uma notícia está de acordo com nossas idéias ou ideologia, não significa que seja verdade. Da mesma forma, se lemos um artigo sobre algo com o qual não concordamos, não tem que ser falso.
- Validar as informações, mesmo que venham de um amigo ou membro da família. Muitas vezes, recebemos notícias através da família, amigos ou conhecidos e tomamos como certo que elas são reais. Entretanto, eles também podem ter sido vítimas de uma campanha de desinformação, por isso é importante corroborar os dados antes de continuar sua distribuição.
Para evitar cair nas garras das"notícias falsas", é necessário ser crítico e usar o bom senso. Antes de compartilhar uma notícia, recomendamos que você siga estas diretrizes e faça parte daqueles que defendem a verdade.
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