A Câmara Uruguaia de Tecnologia da Informação (Cuti) apresentou ao Ministro da Economia e Finanças, Danilo Astori, e ao Subsecretário Pablo Ferreri, uma proposta para gerar um programa específico de formação de pessoal para o setor no âmbito do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (Inefop). O projeto, que envolve a alocação de US$ 4 milhões para este fim específico, foi bem recebido pelos representantes do governo.
"Não queremos levar esse dinheiro, mas direcioná-lo aos recursos que precisamos formar, utilizando os instrumentos e instituições já existentes", disse Álvaro Lamé, presidente da Cuti. Tanto Astori quanto Ferreri estavam interessados e abertos para apoiar a idéia. " O Inefop é para isso", respondeu o ministro, e o subsecretário acrescentou que "seria bom para o Inefop apostar neste programa".
O setor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) tem desemprego zero e vem crescendo de forma constante há mais de uma década. De acordo com Lamé, o desenvolvimento não foi maior devido à falta de pessoal. A indústria das TIC está disposta a contribuir com US$ 1 milhão para o programa educacional, que será integrado ao programa existente "Eu estudo e trabalho", disse ele."Precisamos de pessoas treinadas e temos que fazer algo a respeito disso", disse ele.
A proposta baseia-se no trabalho com os diversos atores do setor educacional, com ênfase especial na Universidade Tecnológica (UTEC), à qual a Cuti se oferece para fornecer professores. Leonardo Loureiro, membro do conselho de administração da Câmara, assinalou que"com 1.500 estudantes sendo treinados na UTEC a cada ano, a indústria cresceria 10% em dois anos". Neste sentido, Lamé destacou que uma pessoa treinada para o setor permite à indústria faturar US$ 60.000 por ano.
"Buscamos a confiança dos diferentes atores governamentais para executar e somos nós que melhor conhecemos as necessidades do setor", resumiu Lamé diante das hierarquias do Ministério da Economia, que destacou a importância desta indústria para o país.
Por outro lado, Cuti apresentou as diversas estratégias em que está trabalhando para o crescimento do setor, entre as quais enumerou o desenvolvimento de novos empreendimentos e a formação de empresas, a promoção da inovação contínua, o desenvolvimento empresarial e a criação de um acelerador, além da promoção da internacionalização das empresas, a criação de uma lei de teletrabalho e a busca de novos instrumentos de financiamento.
Lamé sugeriu que o governo concedesse benefícios fiscais a empresas que investem em software ou em uma renovação tecnológica de seus sistemas."Não estamos pedindo benefícios para nosso setor, mas para aqueles que apostaram", disse ele.
Na reunião, ele apresentou alguns resultados preliminares da Pesquisa Anual Cuti 2015, que reflete os resultados gerais do setor."No ano passado, em comparação com 2015, crescemos apenas 7%", disse o presidente da Câmara e informou que as exportações permaneceram estáveis, em US$ 277 milhões, enquanto as vendas para o mercado interno cresceram.
O faturamento do setor aumentou 6,5% e ficou em US$ 1.068 milhões em 2015. É composto de US$ 277 milhões em exportações: US$ 211 de empresas locais (-6,6% em relação a 2014) e US$ 66 milhões de subsidiárias e parceiros. A isto se somam US$ 791 milhões em vendas para o mercado interno, que aumentaram 9% em comparação com o ano anterior.
De acordo com a pesquisa, os Estados Unidos continuam sendo o principal mercado de exportação dos parceiros da Cuti, que estão divididos pela metade entre produtos e serviços. O mercado brasileiro, por sua vez, teve uma queda de 15%.
"Este é um dos setores que melhor assimilou a desaceleração econômica, não apenas por causa de seu crescimento contínuo, mas também pela contribuição de valor agregado que faz aos diferentes setores da economia nacional", disse Astori no final da reunião."Do governo, não só concordamos com seu diagnóstico, mas também apoiaremos seus objetivos", concluiu ele.
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